O líder parlamentar do PCP adiantou, ainda, que “não vale a pena vir com a ideia de que não dinheiro e, portanto, que tem de ser assim”.

“Onde é que os senhores pensaram no problema das contas públicas quando entregaram o dinheiro ao BPN? Quando entregaram dinheiro à Banca? Onde é que pensaram nisso?”, inquiriu, rematando: “não pensaram”.

E não o fizeram do seu ponto de vista, por uma razão simples: “É que só há problema nas contas públicas quando é para cortar na Saúde e noutras áreas essenciais”.

Para o Governo, “a saúde das pessoas é menos importante do que a saúde financeira daqueles que compraram o BPN por tuta e meia”, acusou Bernardino Soares, que falou ainda, a propósito da alegada falta de dinheiro, dos 320 milhões de euros envolvidos nas parcerias público-privadas na área da Saúde, aos quais há que juntar os cerca de 620 milhões estimados em pagamentos da ADSE aos grandes hospitais privados.

“Aí está o dinheiro que falta depois aos hospitais públicos”, explicou, e que é canalizado para unidades em regime de parceria público-privada de discutível qualidade, como o “Hospital de Loures com a urgência a funcionar com uma médica e quatro internos” ou, exemplificou ainda, “o Hospital de Braga que não tem médicos suficientes na urgência, nem macas para acolher os doentes”.

“Unidades do sector privado a extorquir dinheiro do Estado, prestando um mínimo de cuidados aos utentes, e sobre isto o Governo não tem nenhuma preocupação”, acusou o líder parlamentar do PCP, repudiando a ideia de “pacote mínimo de cuidados, como dizia o programa do PSD, ainda por cima só para alguns – aqueles que tiverem dinheiro para ir comprá-lo ao sector privado”.

Fonte Jornal Avante! 15.03.12 

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