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A diatribe anticomunista e anti-greve assumida pelas bancadas da maioria, muito em particular pelo PSD, teve preocupantes contornos, a fazer lembrar tempos de má memória de antes do 25 de Abril. Logo após a intervenção do deputado comunista Miguel Tiago, Nuno Encarnação, em nome do PSD, veio a terreiro, provocador, perguntar se o deputado comunista acreditava no que acabara de proferir. A partir daí foi um destilar contínuo de ódio à jornada de luta convocada pela CGTP-IN. Ouviu-se tiradas deste calibre: “A greve é privar os trabalhadores de irem trabalhar”; “pintar escolas talvez fosse mais útil do que fazer pichagens a apelar à greve”; “o verdadeiro inimigo deste país é que não os deixa trabalhar”. E anunciou por fim que, ele próprio, no dia seguinte, iria “fazer greve à greve”. Miguel Tiago, na resposta, curto e incisivo, afirmou que uma das diferenças que caracteriza os deputados comunistas é precisamente a de “acreditar no que afirmam e defendem – fazendo no Parlamento o que dizem e fazem lá fora -, ao contrário dos deputados do PSD que dizem uma coisa nas eleições e fazem outra depois no Parlamento”. Quanto ao chorrilho anti-sindical do deputado laranja, considerou-o “uma tentativa desesperada de ataque à greve e à luta dos trabalhadores”, postura que disse ser compreensível num partido como o PSD que vê a greve como “uma ameaça” ao que chama de “estabilidade governativa”. “Porque sendo a luta dos trabalhadores determinante para vencer a ofensiva, é compreensível que PSD, CDS e Governo tremam perante a greve geral”, sublinhou, estabelecendo por fim um paralelismo entre o que se acabara de ouvir e comportamentos de natureza idêntica que vigoraram no fascismo: “Estou certo de que em 1962, quando milhares e milhares de trabalhadores lutavam pela jornada de trabalho, os membros da Assembleia Nacional que se sentavam nesta câmara falariam exactamente como o senhor acabou de falar.

Fonte Jornal Avante! 29.03.2012 

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