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A hipocrisia da surpresa manifestada por Peter Weiss, chefe de unidade da direcção dos assuntos económicos e financeiros da Comissão Europeia, na apresentação do seu relatório sobre a aplicação do programa da tróica germano-imperialista em Portugal, a propósito da recente notícia de mais um aumento do desemprego no nosso país, não releva de uma preocupação dele ou do directório europeu com o drama social e económico pelos quais milhares de trabalhadores portugueses estão a passar graças às medidas terroristas e fascistas que lhes estão a ser impostas pelo governo de traição Coelho/Portas, mas com os reflexos negativos no aumento dos custos orçamentais que o acorrer de um cada vez maior número de trabalhadores aos centros de (des)emprego, para se habilitarem aos cada vez mais miseráveis subsídios de desemprego, estão a produzir.

Mas, passado o primeiro momento de espanto, eis que o relatório de Weiss aponta logo para uma solução: reduzir ainda mais, quer a extensão temporal, quer o montante, aos subsídios de desemprego. Mas, Peter Weiss teve uma peculiar interpretação dos fenómenos que levaram a este surpreendente aumento do desemprego, tanto mais que, ainda segundo o seu relatório, o desempenho de Portugal na implementação do programa da tróica germano-imperialista está a ser assinalável!

É que, segundo esta iluminária, o aumento do desemprego está a ocorrer por iniciativa dos próprios trabalhadores, segundo um fenómeno comparável ao que ocorre quando se produzem aumentos nos impostos sobre o tabaco ou com o aumento dos combustíveis! Brilhante, não é?! Isto é, o trabalhador, esse mandrião compulsivo, conhecedor do facto de que a partir do próximo mês de Abril mudam as regras para a atribuição do subsídio de desemprego, acorre em massa aos seus locais de trabalho para solicitar que os …despeçam! Para não parecer suspeita a interpretação que fazemos da tese expendida por Peter Weiss, esse reconhecido especialista internacional, reproduzimos algumas das suas declarações sobre este assunto: “Pode até acontecer a pedido dos trabalhadores, que é claro que estão interessados (sublinhados nossos) em ter uma maior duração do subsídio de desemprego, que pedem ‘em vez de me despedir em Abril, despeça-me em Março’, pode ser isso”. Pode ser, também, que exista o pai natal!

(…)

Fonte Luta Popular Online 

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