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Onde estão a faltar os apoios do Estado é ao trabalho levado a cabo por milhares e milhares de pessoas, de todas as idades, envolvidas em processos criativos, aos mais variados níveis – cooperativos, empresariais, associativos -, nas mais diversas expressões artísticas, do teatro ao cinema, da pintura à escultura, da literatura à dança ou à música. Criadores, como bem observou Miguel Tiago, que não têm o apoio dos “gigantes cinematográficos”, o “amparo da grande distribuição livreira”, o estímulo do “monopólio editorial que vem silenciando quem ousa escrever diferente”, tal como não têm os meios necessários para “anunciar as suas peças de teatro em grandes jornais”. E o que verdadeiramente choca também neste capítulo, é o contraste que resulta das opções políticas: a miséria ou inexistência de apoios às artes. por um lado, e o tratamento de privilégio e luxo dado aos negócios milionários, por outro lado. Miguel Tiago fez contas e deu exemplo: o fundo de 12 mil milhões de euros para os bancos, mais os 33 mil milhões de euros de juros que o País paga pela intervenção externa, somados, correspondem a 241 anos do orçamento de política cultural. O mesmo é dizer: “aquilo que este Governo entrega de mão beijada às forças que destroem o País seria o suficiente para duplicar o actual orçamento do Estado para a cultura durante 120 anos.

Fonte Jornal Avante! 5.4.2012

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