Etiquetas

, , ,

Necessidade Material E Necessidade Moral

No domínio das actividade não produtivas, é mais fácil distinguir a necessidade material da necessidade moral. Há muito que o homem tenta libertar-se da alienação pela cultura e pela arte. Vai morrendo quotidianamente ao longo das oito horas de trabalho, durante as quais preenche o papel da mercadoria, para ressuscitar em seguida na criação artística. Mas esta terapêutica contém em si os germens da própria doença: aquele que procura a comunhão com a natureza é um ser solitário. Defende a sua individualidade oprimida pelo meio e reage perante as ideias estéticas como um ser único, cuja aspiração é manter-se imaculado. Isto não é mais do que uma tentativa de fuga.

A lei da mais valia já não é o simples reflexo das relações de produção; os capitalistas monopolistas envolvem-na num disfarce complicado que faz dela uma escrava dócil, mesmo quando os métodos empregados são puramente empíricos.

A superestrutura impõe um tipo de arte que exige dos artistas um trabalho de educação muito combativo. Os rebeldes são dominados pela técnica e só os talentos excepcionais podem criar uma obra excepcional. Os outros tornam-se assalariados vergonhosos ou tornam-se uns falhados. Invoca-se a experimentação artística, que se considera como a definição da liberdade, mas esta experimentação tem os seus limites, imperceptíveis até ao momento em que são postos os problemas reais e da sua alienação. A angústia injustificada ou os passatempos vulgares constituem cómodos tampões para a inquietação humana; combate-se a arte quando ela se torna uma arma de denúncia. Se se respeita as regras do jogo, obtêm-se todas as honras, comparáveis às que poderia obter um macaco inventando piruetas. A única condição é não tentar saír da gaiola invisível.

Fonte O Homem e o Socialismo em Cuba, de Che Guevara

Anúncios