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O silenciamento pela imprensa diária da grande manifestação do PCP contra o pacto de agressão no dia 12 de Maio no Porto, ao mesmo tempo que a uma acção dita de “indignados” eram dedicadas páginas inteiras, é um caso particularmente grave de mistificação mas tem um explicação bem simples. O apagamento da luta organizada e a promoção de quanto ajude a confundir e descentrar a luta de classes e contribua para enfraquecer a frente anti-monopolista, só pode favorecer o grande capital e atrasar as mudanças necessárias, em Portugal como em qualquer outro país. É esse o objectivo do fabrico e promoção internacional de símbolos, slogans, dias, movimentos e mesmo líderes “mundiais” como agora sucede com a “Primavera da indignação”.

A questão é séria e tem antecedentes que não devem ser esquecidos. É o caso dos famosos movimentos “anti/alter globalização” a seu tempo apresentados como a mais moderna expressão de internacionalismo; da tese que bloquistas e tuti quanti assanhadamente defendiam (e defendem) de que, em tempo de “globalização”, a luta no marco nacional perdera o sentido e que o espaço de transformação social passara a ser o plano europeu, assim justificando a sua rendição à União Europeia dos monopólios disfarçada de “europeísmo de esquerda”; (…).

Ontem a anti/alter globalização”, hoje a “Primavera da indignação” e outras construções internacionais mais ou menos socialdemocratizantes, construções com roupagens diversas mas sempre com o mesmo propósito de branquear o capitalismo, reconhecendo e até acarinhando o direito à indignação, mas para a recuperar e confinar aos limites do sistema. E ao mesmo tempo que silencia e combate a luta organizada, alimenta o espontaneismo e o movimentismo inconsequente e frustrador do potencial de luta das massas; nega a realidade da luta de classe e combate por todos os meios o sindicalismo e o partido de classe; desvia para o leito de um individualismo anarquizante e reformista reais sentimentos de descontentamento e indignação que ficam assim temporariamente alienados do movimento popular.

O quadro complexo da situação nacional e internacional encerra grandes interrogações e incertezas quanto à sua evolução no curto e médio prazo. Mas a vida confirma com o próprio crescimento das luta populares por esse mundo fora, de que as comemorações do 1º de Maio foram magnífica expressão, que grandes perigos coexistem com grandes possibilidades de transformação progressista e revolucionária. É verdade, para Portugal e para o mundo, que o caminho da alternativa é difícil, e que a viragem necessária não está à vista. Ela nascerá da própria luta. Persistente e organizada, combinando o combate em cada país com a solidariedade e a acção convergente no plano internacional, em defesa dos interesses concretos e imediatos dos trabalhadores e dos povos e tendo sempre no horizonte o socialismo.

É desse caminho que a classe dominante procura afastar as massas.

Albano Nunes

Fonte Jornal Avante! 24.5.2012 

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