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No entanto, ao mesmo tempo, a burguesia vê no bolchevismo quase exclusivamente um dos seus aspectos: a insurreição, a violência, o terror; por isso procura preparar-se de um modo especial, para a sua resistência e réplica neste terreno. É possível que em certos casos e em alguns países o consiga por curtos lapsos de tempo; devemos encarar esta eventualidade que, para nós, nada tem de temível. O comunismo “brota” literalmente de todos os aspectos da vida social, os seus germes existem absolutamente em toda a parte e o seu “contágio” (para empregar um termo de comparação preferido da burguesia e da política burguesa para elas tão “agradável”) penetrou muito fundo nos poros do organismo, impregnando-o completamente. Se se “fecha” com particular cuidado uma das saídas, o “contágio” encontrará outra, às vezes a mais inesperada. A vida triunfa por cima de tudo. Que a burguesia se sobressalte, se exaspere até ao desatino; que exceda os limites, até à estupidez, se vingue de antemão dos bolcheviques e se desenhe (na Índia, na Hungria, na Alemanha, etc.) para aniquilar centenas, milhares, centenas de milhar de bolcheviques de ontem ou amanhã: agindo assim, procederá como todas as classes condenadas pela história ao desaparecimento. Os comunistas devem saber que o futuro lhes pertence, inelutavelmente. E por isso podemos (e devemos) unir o máximo ardor na grande luta revolucionária à apreciação mais fria e serena das furibundas sacudidas da burguesia. A revolução russa foi cruelmente esmagada em 1905, os bolcheviques russos foram derrotados em Julho de 1917, mais de 15 000 comunistas alemães foram massacrados devido à astuta provocação e às hábeis manobras de Sheidemann e Noske, aliados da burguesia e dos generais monárquicos; na Finlândia e na Hungria campeia o terror branco. Em todos os casos, porém, e em todos os países, o comunismo tempera-se e recrusdesce; as suas raízes são tão profundas que as perseguições não o enfraquecem, não o extenuam, antes o reforçam. Só uma coisa nos falta para que marchemos direitos à vitória, com mais firmeza e segurança: o sentimento nítido e profundo, entre os comunistas de todos os países, da necessidade do máximo de flexibilidade da nossa táctica. O que hoje falta ao comunismo, que progride magnificamente em todos os países, é essa consciência e a arte de a aplicar na prática.

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Fonte Partido Operário de Novo Tipo (A importância mundial do bolchevismo), de V. I. Lénine 

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