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Se as crises puseram a descoberto a incapacidade da burguesia para continuar a administrar as forças produtivas modernas, do mesmo modo a transformação das grandes empresas de produção e de comunicação em sociedades anónimas, em trusts e em propriedade do Estado mostra que a burguesia é dispensável para esse efeito. Todas as funções sociais do capitalista são hoje exercidas por empregados remunerados. O capitalista já não tem nenhuma actividade social a não ser embolsar rendimentos, cortar cupões de dividendos e jogar na bolsa, que é onde os vários capitalistas ficam com o capital uns dos outros. Se o modo de produção capitalista começou por desalojar operários, agora desaloja os capitalistas e desterra-os, como aos operários, para a população supérflua, embora por enquanto ainda não para o exército industrial de reserva.

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As forças socialmente activas actuam tal qual como as forças naturais: às cegas, violenta, destrutivamente, enquanto não as conhecemos e não contamos com elas. Mas uma vez que as conheçamos, que tenhamos compreendido a sua actividade, as suas orientações, os seus efeitos, passa a depender só de nós submetê-las cada vez mais à nossa vontade e por meio delas alcançar os nossos fins. E isto aplica-se de um modo muito especial às poderosas forças produtivas de hoje. Enquanto nos obstinarmos em não querer compreender a sua natureza e o seu carácter – e o modo de produção capitalista e os seus defensores opõem-se a que os compreendamos -, estas forças continuarão a actuar, indiferentes a nós, contra nós, e continuarão a a dominar-nos, como descrevemos em pormenor. Mas uma vez conhecida a sua natureza, podem ser transformadas, nas mãos dos produtores associados, de dominadores demoníacos em servidores dóceis. É a diferença que existe entre o poder destrutivo da electricidade no relâmpago da trovoada e a electricidade domada do telégrafo e do arco voltaico; a diferença entre incêncio e o fogo ao serviço do homem. Com este tratamento das forças produtivas dos nossos dias segundo a sua natureza finalmente conhecida, para o lugar da anarquia social da produção passa uma ordenação social planificada da produção em conformidade com as necessidades tanto da comunidade como de cada um. Assim o modo de apropriação capitalista, no qual o produto subjuga primeiro o produtor, mas depois também quem dele se apropria, é substituído pelo modo de apropriação dos produtos que se baseia na natureza dos próprios meios modernos de produção: por um lado, apropriação social directa como meio de manutenção e de alargamento da produção, por outro lado apropriação individual directa como meio de subsistência e de fruição.

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Fonte Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, de Friedrich Engels 

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