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Na opinião do PCP, que apresentou dois diplomas com medidas concretas que ajudariam à resolução de problemas no capítulo disciplinar e do insucesso escolar, ambos chumbado pelos votos contra dos partidos que apoiam o Governo e do PS, as alterações agora introduzidas ao Estatuto do Aluno vêm agravar a lei actual e «quase transformam a escola pública numa casa de correcção, aprofundando os processos de triagem social».

Foi nesses termos que a deputada comunista Rita Rato definiu o novo documento no qual, advertiu, proliferam “medidas antidemocráticas que visam transformar a escola não num espaço de construção e exercício de cidadania, dos direitos humanos, da democracia, mas antes num espaço castigador que agrava e institucionaliza as desigualdades e a exclusão social”.

Medidas que, na sua perspectiva, visam penalizar o “acto individual e isolado do estudante», sem levar em conta «todo o contexto social e económico no seio das famílias e dentro das escolas”.

Mão pesada

Exemplo desse carácter punitivo que perpassa o novo Estatuto do Aluno é a introdução de sanções para os pais de estudantes faltosos e, por outro lado, o agravar dos castigos a alunos que infrinjam as regras. Os valores das coimas são calculados em função do ano de escolaridade e podem ir dos 13 aos 79 euros. O documento prevê também que os alunos com mais de 18 anos possam ser expulsos da escola. A falta de pontualidade ou de material didáctico, por sua vez, passa a ser equiparada a falta de presença.

Para o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, o Estatuto consagra o “respeito de toda a comunidade escolar”, num quadro que disse ser de equilíbrio entre deveres e direitos.

Mas “é justo que um aluno sem dinheiro para comprar os seus manuais escolares tenha falta de presença?”, inquiriu Rita Rato, dirigindo-se ao governante. À deputada comunista coube ainda lembrar que todas estas alterações surgem no preciso momento em que o Governo “aprofunda o processo de constituição de mega-agrupamentos, aumenta o número de alunos por turma, mantém a falta grave de funcionários (mais de cinco mil), corta nos psicólogos e noutros técnicos pedagógicos, acaba com projectos escolares”.

Ora é neste quadro de grandes dificuldades por si criado às escolas, a quem retirou recursos materiais e humanos para lidar com os problemas, que o Governo decide “recorrer exclusivamente a medidas punitivas de controlo social”, como observou a parlamentar do PCP. E ao fazê-lo, acusou, o Executivo desresponsabiliza-se de “garantir a escola pública como um instrumento de emancipação individual e colectiva”, para além de “agravar as já insuportáveis condições sociais e económicas com que a maioria das famílias está confrontada”.

Por isso a rejeição firme deste Estatuto assumida pela bancada do PCP, para quem o Governo, também neste capítulo, optou (como os seus antecessores) pelo “caminho mais fácil e populista”. É que, foi ainda Rita Rato a evidenciar a nota, “expulsar alunos será sempre mais barato e exigirá menos meios do que garantir o acompanhamento psicológico em meio escolar e a efectiva integração e inclusão de todos os estudantes”.

Fonte Jornal Avante! 12.7.2012 

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