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(…) Pressupõe, portanto, um grau elevado de desenvolvimento da produção em que a apropriação dos meios de produção e dos produtos e, com eles, do domínio político, do monopólio da cultura e orientação intelectual por uma classe social determinada se tenha tornado, não apenas supérflua, mas um obstáculo, do ponto de vista económico, político e intelectual, ao desenvolvimento. Foi este o ponto agora atingido. Se a falência política e intelectual da burguesia já quase não é segredo para ela própria, por outro lado a sua falência económica repete-se regularmente de dez em dez anos. Em cada crise a sociedade sufoca sob o peso das suas próprias forças produtivas, que ela não pode utilizar, e fica desamparada perante a contradição absurda de os produtores não terem nada para consumir por haver falta de consumidores. A força de expansão dos meios de produção faz rebentar os laços com que os prendia o modo de produção capitalista. A sua libertação destes laço é a única condição prévia para um desenvolvimento ininterrupto, em permanente progresso, das forças produtivas, e assim de um crescimento praticamente ilimitado da própria produção. E ainda não é tudo. A apropriação social dos meios de produção não elimina apenas a restrição artificial da produção agora vigente, elimina também o que é positivamente o desperdício e a devastação de forças produtivas e de produtos que actualmente são os companheiros inevitáveis da produção e que atingem o seu ponto culminante nas crises. Mais: eliminando o esbanjamento idiota do luxo das classes hoje dominantes e dos seus representantes políticos, liberta para a comunidade uma grande quantidade de meios de produção e de produtos. A possibilidade de assegurar a todos os membros da sociedade, graças à produção social, um existência que não é só perfeitamente suficiente do ponto de vista material, e que se torna mais rica de dia para dia, mas que lhes garante também a formação e o exercício integrais e livres das suas capacidades físicas e intelectuais, tal possibilidade existe, agora, pela primeira vez, mas existe já.

Fonte Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, de Friedrich Engels 

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