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(…) Crise da UE que coloca a nu as consequências da integração capitalista no nosso País e demonstra o significado da “solidariedade europeia”. Que “solidariedade” é essa que destrói o nosso aparelho produtivo, fragiliza e torna mais dependente a nossa economia? Que “solidariedade” é essa que impõe um pacto de agressão e promove o roubo de parcelas fundamentais da nossa soberania económica e política? Que “solidariedade” é essa que impõe mais e maiores sacrifícios aos trabalhadores e aos povos, aumentando a exploração de quem trabalha?

No plano nacional, a imposição do pacto de agressão pela UE e e pelo FMI – com a activa colaboração do PSD, CDS/PP e PS – insere-se pois na estratégia do grande capital de impor o retrocesso histórico no plano dos direitos sociais e laborais para tentar relançar as condições de acumulação de lucros de monopólio perdidas com a crise. A UE afunda-se na sua própria crise e na solução clássica do capitalismo de destruir forças produtivas, “solução” que faz disparar os valores do desemprego para níveis históricos (Espanha com mais de 24%) e impõe a recessão económica aos países da periferia como forma de contenção. As contradições são no entanto muitas e essa estratégia parece não estar a produzir os efeitos desejados já que a recessão se estende aceleradamente às grandes potências.

A evolução da UE evidencia cada vez mais o carácter profundamente antidemocrático da integração europeia como o demonstram as manobras descaradas de ingerência e chantagem para impedir a realização do referendo sobre o memorando da troika na Grécia ou antes e durante a campanha sobre a realização do referendo do chamado tratado orçamental na Irlanda. Ou ainda as tentativas de impedir a expressão livre dos povos destes países em eleições ou referendos, desenvolvendo campanhas mediáticas de autêntico terrorismo para impor a “solução” única de fazer pagar aos trabalhadores e aos povos a crise dos capitalistas. Carácter antidemocrático bem expresso nas “soluções” da chamada governação económica e do semestre europeu que esvaziam a soberania orçamental das instituições nacionais, ficando o orçamento de estado dependente das prioridades e orientações da UE – ou seja dos interesses e das dinâmicas dos grandes grupos económicos e financeiros.

(…)

Como qualquer sistema ou formação económica ultrapassada, a integração capitalista da UE não cairá por si, sem o contributo decisivo da luta de massas. E ela aí está nas ruas e nos locais de trabalho, em grandes e pequenas expressões, em grandes e pequenas acções. Continuemos a impulsioná-la com a confiança inabalável de que a luta dos povos pode tudo!

Maurício Miguel

Fonte Jornal Avante! 19.7.2012

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