Etiquetas

, , ,

(…)

É o grande combate final onde se decide a existência ou o fim da exploração, onde se decide uma viragem da história da humanidade. É um combate que não suporta nenhuma tergiversação, nenhum compromisso, nenhuma trégua.

Este último combate, cujas tarefas consideráveis ultrapassarão todas as do passado, deverá conseguir uma coisa que nenhuma luta de classes, nenhuma revolução jamais conseguiu realizar, isto é, reduzir a luta de morte entre estes dois mundos a duelos de oratória parlamentar e a decisões maioritárias!

O parlamentarismo, é verdade, foi uma arena da luta de classe do proletariado e isso enquanto durou a vida tranquila da sociedade burguesa. Foi então uma tribuna do alto da qual nós podíamos juntar as massas à volta da bandeira do socialismo e educá-Ias para a luta. Mas, hoje, nós estamos no próprio coração da revolução proletária e trata-se agora de abater a própria árvore da exploração capitalista. O parlamentarismo burguês, assim como a dominação de classe burguesa que foi a sua razão de ser mais eminente perdeu a legitimidade. Agora, a luta de classes irrompe de cara descoberta, o Capital e o Trabalho nada mais têm a dizer um ao outro, já só lhes resta agarrar-se num amplexo de ferro e decidir a sorte desta luta mortal.

Mais do que nunca a frase de Lassalle é hoje actual: o acto revolucionário consiste sempre em exprimir o que é. E o que é chama-se: aqui o Trabalho — acolá o Capital! Não à hipocrisia de negociações amigáveis lá onde se decide da vida ou da morte, não à vitória de causas comuns onde há dois lados da barreira. Claro, franco, sincero e forte com esta clareza e esta sinceridade, o proletariado, constituído em classe, deve tomar em mãos todo o poder político.

“Igualdade de direitos políticos, democracia!” eis o que não cessavam de repetir durante dezenas de anos os grandes e os pequenos profetas da dominação de classe burguesa. “Igualdade de direitos políticos, democracia!” repetem hoje em eco, os lacaios da burguesia, os Scheidemann. Sim, mas trata-se precisamente de a realizar presentemente. Pois a palavra de ordem «igualdade de direitos políticos» só se tornará realidade no momento em que a exploração económica tiver sido extirpada radicalmente. E «a democracia» — enquanto poder exercido pelo povo — só começará no dia em que o povo trabalhador tomar o poder.

É preciso fazer a crítica prática, a crítica tornada acto histórico, das frases de que abusaram as classes burguesas durante um século e meio. É preciso que as «liberdade, igualdade e fraternidade» que a burguesia proclamou em França em 1789 se tomem pela primeira vez realidade — pela abolição da dominação de classe da burguesia. O primeiro acto desta acção libertadora será declarar alto e forte perante o mundo inteiro e perante os séculos da história universal: o que passava até ao presente por igualdade e democracia, isto é o Parlamento, a Assembleia nacional, o boletim de voto para todos, era uma mentira! Todo o poder, arma revolucionária da destruição do capitalismo, às massas trabalhadoras — essa é que é a única verdadeira democracia!

Fonte O Estado Burguês e a Revolução, de Rosa Luxemburgo

Anúncios