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Marx aprendeu inteiramente este traço essencial da democracia capitalista quando refere na sua análise da experiência da Comuna: autoriza-se os oprimidos a decidir periodicamente, para um certo número de anos, qual será, de entre os representantes da classe dos opressores, aquele que os representará e calcará aos pés do Parlamento!

Mas a marcha em frente, a partir desta democracia capitalista, – inevitavelmente apertada, reprimindo dissimuladamente os pobres e, por conseguinte, estruturalmente hipócrita e enganadora – não conduz naturalmente, directamente e sem sobressaltos, “a uma democracia cada vez mais perfeita”, como pretendem os professores pequeno-burgueses. Não. A marcha em frente, isto é, para o comunismo, faz-se passando pela ditadura do proletariado; e não se pode processar de outro modo, porque não há outras classes nem outros meios que possam quebrar a resistência dos capitalistas exploradores.

Ora, a ditadura do proletariado, isto é, da organização de vanguarda dos oprimidos em classe dominante para dominar os opressores, não se pode limitar a um simples alargamento da democracia. Ao mesmo tempo que é um alargamento considerável da democracia, agora e pela primeira vez democracia para os pobres, democracia para o povo e não para os ricos, a ditadura do proletariado acarreta uma série de restrições à liberdade dos opressores, dos exploradores, dos capitalistas. A estes, é necessário dominá-los a fim de libertar a humanidade da escravatura assalariada; é necessário quebrar a sua resistência pela força: e é evidente que, onde há repressão há violência, não há liberdade, não há democracia.

Fonte O Estado e a Revolução, de V. I. Lénine

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