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Pelo contrário, um partido socialista que beneficie de uma certa influência tradicional mas que não se aperceba do que se passa à sua volta, que, por não compreender a situação revolucionária, não pode achar solução para ela, que não tem fé em si nem no proletarieado, um partido desta natureza, na nossa época, constitui o mais deplorável obstáculo histórico, uma causa de perturbação e de um caos destruidor. 

É esse o papel de Kautsky e dos seus discípulos, hoje. Ensinam o proletariado a não ter confiança em si próprio mas a considerarem verdadeira a imagem que lhe restitui o imperfeito espelho da democracia, reduzido hoje a estilhaços pela bota do imperialismo. Na sua opinião, a política revolucionária do proletariado não deve ser determinada pela situação internacional, pelo desmoronamento real do capitalismo, pela ruína social que daí resulta, pela necessidade objectiva do domínio da classe operária que clama a sua revolta nos escombros fumegantes da civilização capitalista; nada disto deve determinar e política do partido revolucionário proletário, ela depende unicamente do número de votos que lhe reconhecem, a partir dos seus cálculos inteligente, os escombros do parlamentarismo.

Parece que alguns anos antes Kautsky entendia a essência do problema revolucionário. Na brochura já citada por nós (O Caminho do Poder) escrevia; “Sendo o proletariado a única classe revolucionária de uma nação, daí resulta que o desmoronamento da sociedade actual, quer revista carácter financeiro quer militar significa a bancarrota dos partidos burgueses sobre quem cai toda a responsabilidade e não só pode sair desse impasse senão por intermédio do governo do proletariado”. Mas hoje o partido da apatia e do medo, o partido Kautsky, diz à classe operária: “O único problema não é saber se neste momento és a única força criadora da história, se és capaz de varrer a clique de malfeitores, produto da degenerescência das classes poderosas que governam; não é o facto de ninguém o poder fazer a não seres tu, nem da história te conceder nenhuma prorrogação – porque as consequências do caos sangrento actual também ameaçam sugar-te sob as últimas ruínas do capitalismo; o problemo é bem outro; é que os bandidos governantes, ontem ou hoje, conseguiram enganar, violentar, frustrar a opinião pública de modo a reunirem 51% dos votos contra os 49 por cento. Que o mundo pereça, mas viva a maioria parlamentarista!”

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Fonte O Anti-Kautsky, de Léon Trotsky

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