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As normas da moral “geralmente reconhecida” conservam no fundo um caráter algébrico, isto é, indeterminado. Elas exprimem apenas o fato de que o homem, em seu comportamento individual, está ligado a certos normas gerais, já que pertence à sociedade. O “imperativo categórico” de Kant é a alta generalização dessas normas. Mas, não obstante a posição eminente que este imperativo ocupa no Olimpo filosófico, ele não tem nada, absolutamente nada, de categórico, porque não implica nada de concreto. É uma forma sem conteúdo.

A causa dessas normas universalmente válidas serem vazias é que, em todas as circunstâncias importantes, os homens têm um senso muito mais imediato e profundo de seu pertencer a uma classe do que do seu pertencer à “sociedade”. As normas morais “obrigatórias para todos” adquirem, dentro da realidade, um conteúdo de classe, isto é, um conteúdo antagonístico. A norma moral é tanto mais categórica quanto menos é “obrigatória para todos”. A solidariedade dos operários, especialmente nas greves ou por detrás das barricadas, é infinitamente mais “categórica” que a solidariedade humana em geral.

A burguesia – cuja consciência de classe é muito superior, pela sua coesão e intransigência, à do proletariado – tem interesse vital em impor sua moral às classes oprimidas. Por isso mesmo, as normas concretas do catecismo burguês são mascaradas com a ajuda de abstrações morais postas sob a égide da religião, da filosofia, ou daquela coisa híbrida que se chama “bom senso”. A invocação das normas abstratas não é um erro desinteressado da filosofia, mas um elemento necessário ao mecanismo da luta de classes. Fazer ressaltar essa tramóia, cuja tradição tem milênios, é o primeiro dever do revolucionário proletário.

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Fonte Moral e Revolução, de Léon Trotsky

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