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5 minutos bastaram para desmobilizar milhares de manifestantes.

5 minutos bastaram para desmobilizar milhares de manifestantes.

A “grande” manifestação de 15 de Dezembro, convocada pela CGTP-IN, vai ficar na história como o dia da maior derrota da classe trabalhadora portuguesa desde… há muito tempo, Arménio Carlos. Há muito tempo!

Fazendo um apanhado da longa jornada, contra o governo e um orçamento de estado criminoso, iniciada no dia 15 de Setembro com uma – e esta, sim – GRANDE manifestação do povo e dos trabalhadores, podemos dizer, sem hesitações, que a central sindical não deu uma para a caixa. É verdade! Os fatos comprovam-no com as últimas, e anedóticas, manifestações de 27 de Novembro e 15 de Dezembro. Mas não é caso para admiração; pois, a CGTP-IN, como maior central sindical portuguesa, deu-se ao luxo de desperdiçar toda a revolta e combatividade dos seus trabalhadores em comícios inconsequentes e passeatas anti-austeritárias contra sabe-se lá o quê. Se a central só sai à rua para fazer figuras tristes então é melhor não sair, porque assim evita-se o ridículo de mais um “grande comício”! Grande? Alguém se lembra da última grande manifestação da CGTP-IN? Foi em Setembro! Um Terreiro do Paço cheio, a abarrotar, de trabalhadores determinados a mandar o governo de Passos Coelho para o diabo! E o que se fez com essa vontade militante? Com aquela “força que trazes no peito”? Tudo menos usá-la. E logo no momento em que a força dos trabalhadores é tão necessária para derrotar as políticas de direita do PSD e CDS-PP! Partidos, que, segundo os sindicalistas da CGTP-IN, estão inteiramente disponíveis para fazer uma viragem de 180º graus e passarem a governar à esquerda. Se não é assim, pelo menos parece; porque, sejamos realistas, é preciso ter muita fé para acreditar que o OE 2013 podia ser vetado pelo Sr. Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, um homem de direita que, como se sabe, tem um longo historial de vetos a favor dos trabalhadores. ASSIM NÃO VAMOS LÁ!

Os resultados das “lutas” da central estão à vista de todos: o governo continua de pé e o orçamento da miséria passou, um orçamento que é o maior ataque às condições de vida das classes trabalhadoras desde o fascismo. E como foi isto possível? A situação do país não justificava a radicalização das lutas? Não havia apoio popular? Ou, afinal, a crise ainda não bateu à porta dos trabalhadores da CGTP-IN? Bem, se ainda não bateu, com este orçamento há-de bater – com força! A única explicação razoável, para este impasse, é política. É cada vez mais evidente que existem forças dentro da central que não querem que o governo caia, forças que decidem o caminho da central à revelia das bases. ESTE TEXTO É DIRIGIDO ÀS BASES DA CGTP-IN.

Depois de mais de 30 anos de governos de direita (PSD, PS e CDS-PP) é óbvio que o que Portugal necessita é de uma mudança política radical para parar este ciclo de miséria e empobrecimento. Do que este país precisa é de um governo que esteja do lado de quem trabalha e de quem quer trabalhar, de um governo que ponha a economia nas mãos dos trabalhadores, de um governo que arranque os bancos das garras dos capitalistas, de um governo de ESQUERDA composto por forças políticas anti-troika (BE, PCP). Ora, assim sendo, a CGTP-IN teria tudo a ganhar se provocasse esta viragem, porque a própria central posiciona-se à esquerda, e contra o governo; ou seja, estamos todos juntos nesta luta! Certo? Errado; pois, por razões superiores, os líderes sindicais da CGTP continuam disponíveis para dialogar e para negociar com quem lhes ameaça tirar tudo! Disponíveis para trair a classe trabalhadora! Disponíveis para renunciar a todas as formas de luta efetiva e de mobilização da população em favor dos trabalhadores! Este comportamento da central sindical é, digamos, incompreensível, para não dizer VERGONHOSO.

E o que dizer da sua postura perante a luta dos valorosos estivadores? Nem um comunicado público de apoio. “Unidade do trabalho contra o capital”, mas apenas sob as bandeirinhas da CGTP. E mais, a central é hostil para com os ativistas políticos que, ao seu lado, lutam contra o governo; e menospreza a importância das manifestações populares convocadas pelos movimentos sociais, justificando essa posição com a necessidade de uma força unitária e organizada contra o “capital”. Manifestações, estas, que, para quem não sabe, derrubaram o Governo de José Socrates (12 de Março de 2011), provocaram o recuo do aumento da TSU (15 de Setembro de 2012) e promoveram a maior manifestação, que alguma vez houve, em dia de greve geral (14 de Novembro de 2012). É mesmo como diz a canção: O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO! Mas, claro está, para os sindicalistas da CGTP-IN o povo unido não é suficientemente unitário e organizado para o seu gosto burocrático – o divisionismo está-lhes no sangue.

Está visto que para o movimento sindical as manifestações populares são incómodas porque estão fora do seu controlo, são incómodas porque não abandonam a luta depois do hino nacional! E isto porquê? Porque, muito simplesmente, as massas populares e os trabalhadores mais avançados já perceberam que as formas de protesto tradicionais não têm qualquer efeito sobre um governo que acha perfeitamente natural a FOME, a MISÉRIA e o FMI! Aliás, até tenho a certeza que, os professores, enfermeiros, maquinistas, funcionários e estivadores também já sabem que este governo não tem medo de greves gerais de 24 horas, porque depois de ter eliminado uns quantos feriados até não se importa com um ou dois dias de paralização; na prática fica tudo igual. E qual foi o resultado da última greve? Os trabalhadores que a fizeram viram as suas condições melhoradas? Não. O governo recuou com as medidas de austeridade? NÃO! APENAS CORREU COM OS MANIFESTANTES À BASTONADA! E depois disto, ainda temos de ouvir o Sr. Arménio Carlos a lamentar-se da violência e a desligar-se do incidente. Desligar-se? Violência? Mas querem ver que foram os movimentos sociais a convocar a greve geral? Querem ver que foram os manifestantes a lançar 1.400.000 trabalhadores no desemprego? Olhe, caro secretário-geral, lamentáveis são as formas de luta da CGTP-IN. Saem para a rua milhares de trabalhadores em protesto contra o governo e o melhor que sai é uma bela petição! Boa, mas que grande ideia! Se os camaradas gregos sabem disto vão-se rir à grande e à francesa – a luta é internacional. Está bem, está. Vão os gregos na sua vigésima greve geral e nós aqui a brincarmos aos bons cidadãos. Ora, se a CGTP-IN continua com estas propostas “radicais” arrisca-se a ir para a rua sozinha, e sem qualquer apoio popular, porque quem quer lutar não está para ir a reboque da retaguarda. Quem quer lutar não quer ir a uma manifestação contra um orçamento que já foi aprovado! Quem quer lutar vai atrás da vanguarda!

É PRECISO, É URGENTE, UMA POLÍTICA DIFERENTE! Exato, e isso aplica-se, também, à central sindical. Por isso, está na hora da CGTP-IN fazer as coisas como deve ser para evitar um novo fiasco como o de 15 de Dezembro. É necessário uma CGTP-IN mais arrojada, mais combativa e mais aberta ao diálogo, uma CGTP-IN que enfrente o governo sem medo. Uma CGTP-IN forte e de esquerda! Vamos parar com a retórica vazia e atuar. NÃO TENHAMOS ILUSÕES, ESTE GOVERNO É DE LADRÕES!

POR UMA GREVE GERAL DE 48 HORAS!

POR UM GOVERNO DE ESQUERDA SEM PS!

O GOVERNO DA TROIKA CAIRÁ!

A Chinesa
19 de Dezembro de 2012

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