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“Durante a guerra, os operários parisienses tinham-se limitado a exigir a enérgica continuação da luta. Mas agora, quando chegava a paz depois da capitulação de Paris, Thiers, o novo chefe do governo, tinha de reconhecer que a dominação das classes possidentes — grandes proprietários rurais e capitalistas — estava em perigo permanente enquanto os operários parisienses conservassem as armas na mão. A sua primeira obra foi a tentativa do desarmamento destes. A 18 de Março enviou tropas de linha com a ordem de roubar a artilharia pertencente à Guarda Nacional, fabricada durante o cerco de Paris e paga por subscrição pública. A tentativa falhou, Paris ergueu-se como um só homem para a defesa, e foi declarada guerra entre Paris e o governo francês sediado em Versalhes. A 26 de Março foi eleita a Comuna, e proclamada a 28. O Comité Central da Guarda Nacional, que até aí dirigira a governação, demitiu-se a favor dela, depois de ter ainda decretado a abolição da escandalosa «polícia de costumes» de Paris. A 30, a Comuna aboliu o recrutamento e o exército permanente e proclamou a Guarda Nacional, à qual deviam pertencer todos os cidadãos capazes de pegar em armas, como o único poder armado; isentou todos os pagamentos de rendas de casa de Outubro de 1870 até Abril, pôs em conta para o prazo de pagamento seguinte as quantias de arrendamento já pagas e suspendeu todas as vendas de penhores no montepio municipal. No mesmo dia, os estrangeiros eleitos para a Comuna foram confirmados nas suas funções, porque a «bandeira da Comuna é a da República mundial». — A 1 de Abril foi decidido que o vencimento mais elevado de um empregado da Comuna, portanto dos seus próprios membros também, não poderia exceder 6000 francos (4800 marcos). No dia seguinte foram decretadas a separação da Igreja e do Estado e a abolição de todos os pagamentos do Estado para fins religiosos, assim como a transformação de todos os bens eclesiásticos em propriedade nacional; em consequência disso, foi ordenada a 8 de Abril, e pouco a pouco cumprida, a exclusão, das escolas, de todos os símbolos religiosos, imagens, dogmas, orações, numa palavra, «de tudo o que pertence ao âmbito da consciência de cada um». — A 5, face às execuções diariamente repetidas de combatentes da Comuna presos pelas tropas de Versalhes, foi promulgado um decreto destinado à detenção de reféns, mas nunca aplicado. — A 6, a guilhotina foi trazida pelo 137.° batalhão da Guarda Nacional e queimada publicamente no meio de ruidoso júbilo popular. — A 12, a Comuna decidiu derrubar, como símbolo do chauvinismo e do incitamento ao ódio entre povos, a coluna triunfal da Praça Vendôme, fundida por Napoleão com os canhões conquistados depois da guerra de 1809. Isto foi executado a 16 de Maio. — A 16 de Abril a Comuna ordenou um levantamento estatístico das fábricas paralisadas pelos fabricantes e a elaboração de planos para o funcionamento destas fábricas com operários nelas ocupados até então, a unir em associações cooperativas, assim como para a organização destas associações numa grande federação. — A 20, aboliu o trabalho nocturno dos padeiros assim como os serviços de emprego que desde o segundo Império funcionavam como monopólio de sujeitos nomeados pela polícia, exploradores de primeira linha dos operários; estes serviços foram atribuídos aos municípios dos vinte “arrondis-sements” de Paris. — A 30 de Abril ordenou a supressão das casas de penhores, que era uma exploração privada dos operários e estavam em contradição com o direito dos operários aos seus instrumentos de trabalho e ao crédito. — A 5 de Maio decidiu a demolição da capela de penitência construída como expiação pela execução de Luís XVI.”

Fonte A Guerra Civil em França, de Karl Marx

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